domingo, 21 de setembro de 2008

a queda - lobão

Adoro uma letra bem escrita. E gosto mais quando o compositor consegue falar de temas bem diferentes ou até daqueles que nos passam desapercebidos. Adoro a idéia dessa letra do Lobão. De alguém pensar no fato da queda enquanto ele acontece. O que pode passar pela sua cabeça enquanto se cai? Desde a vertigem (e aquela prazeirosa possibilidade do movimento) até chegar ao fato.
Um dos fundamentos do judô é o de você saber cair para não se machucar com um golpe do adversário.
Estava eu a conversar com um colega de curso que é professor de capoeira. Ele me falava da queda em sua arte. Nela o importante não é saber cair e sim como você pode utilizar a sua queda contra o oponente. Então ele me fala também sobre a relação que isso tinha com a dita malandragem e o "jeitinho brasileiro".
Às vezes algo que vemos como ruim pode ser uma grande fonte de inspiração.



Composição: Lobão / Bernado Vilhena

Quantos sonhos em sonhos acordo aterrado
A terrores noturnos minha alma se leva
É um insight soturno é o futuro passando
Na velocidade terrível da queda
Na velocidade terrível da queda
Ante o colapso final a vertigem
próximo ao chào a penúltima descoberta
Que a lógica violenta das cores tinge
A velocidade terrível da queda
A velocidade terrível da queda
Como cair do céu é tão simples
Queda que a tudo e a todos transtorna
Ah! as bombas, a chuva, os anjos e seus loucos
O mundo todo na velocidade terrível da queda
O mundo todo na velocidade terrível da queda
Resvalando em abismos um pôr do sol furioso
Que a sensação de perda ao ver exagera
É o desespero vermelho de um apocalipse luminoso
Ejaculado da velocidade terrível da queda
Ejaculado da velocidade terrível da queda
Diante do medo um sorriso aeróbico
Nas bochecahas a caimbra de uma alegria incompleta
Nada como um sorriso burro e paranóico
Para não perceber a velocidade terrível da queda
Para não perceber a velocidade terrível da queda


Sinta também essa vertigem: A Queda - Lobão

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